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Emergência vem do latim emergere
que significa fazer subir à superfície, vir para fora. Em seu livro A Tempestuosa Busca do Ser,
Stanislav Grof e Cristina Grof relatam a emergência espiritual que eles
viveram e que através das suas experiências passaram a ajudar pessoas que
estavam nesse mesmo processo.
"As Emergências espirituais podem ser definidas como
estágios críticos e experimentalmente difíceis de uma transformação
psicológica profunda que envolve todo o ser da pessoa. Tomam a forma de
estados incomuns de consciência e envolvem emoções intensas, visões e
outras alterações sensoriais, pensamentos incomuns, assim como várias
manifestações físicas. Esses episódios que normalmente giram em torno de
assuntos espirituais, incluem seqüências de morte e renascimento
psicológico, experiências que parecem memórias de vidas passadas,
sensações de união com o universo, encontro com diversos seres
mitológicos e outros temas semelhantes".
O que é que detona a emergência espiritual ou crise de
transformação?
Qualquer coisa pode detonar esse processo, mas as situações
mais freqüentes são: uma operação, esforços físico e intelectual
extremos, falta prolongada de sono, nas mulheres ( nascimento de um
filho, um aborto acidental ou não), doença de um filho, final de um caso
amoroso, casamento, divórcio, perda de um filho, dos pais, esposa (o),
quebra financeira inesperada, perda de um cargo importante, muitos
fracassos na vida, experiência com drogas. Esses eventos detonadores
levam muitas pessoas a sofrimentos tão profundos que a transformação
interior passa a ser condição primeira em suas vidas. Elas precisam
encontrar algum equilíbrio entre os seus processos consciente e
inconsciente que não conseguem entender e nesse momento surge um despertar
espiritual.
Um dos detonadores mais importantes e que leva a crises de
transformação interior é o envolvimento profundo com várias práticas
espirituais: meditação, ioga, exercícios sufistas, abertura da
mediunidade, orações intensas, etc. Na realidade a emergência espiritual
é um processo complexo de evolução que leva o ser a uma aceleração em
busca de uma vida mais madura, equilibrada e saudável. É um anseio por
Deus.
John Weir Perry, analista junguiano observa que "o
espírito está constantemente lutando para libertar-se de sua prisão na
rotina ou em estruturas mentais convencionais. O trabalho espiritual é a
tentativa de liberar essa energia dinâmica, que precisa parar de ser
abafada por velhas formas (...). Durante o processo de desenvolvimento de
uma pessoa, se esse trabalho de libertação do espírito se torna
absolutamente necessário mas não é realizado voluntariamente, com
conhecimento do objetivo e uma dose considerável de esforço, a psique
então se habilita a assumir o controle e subjugar a personalidade
consciente.(...) Em vez de tolerar a estagnação, a psique pode na verdade
gerar crises para forçar o desenvolvimento."
Muitas vezes o processo do despertar espiritual é sutil e
gradual, a pessoa vai entrando nele sem perceber. Com o passar dos anos
ao olhar para trás, nota o quanto mudou e se transformou e isso é devido
à sua aceitação do processo de mudança, observando tudo como oportunidade
e aprendizado. Acontece também desse processo sofrer uma aceleração,
principalmente se o seu despertar espiritual não é aceito de forma
consciente, então surge a crise e se transforma em emergência espiritual,
as crenças são abaladas, surgem questionamentos sobre o seu jeito de ser,
o seu relacionamento com o mundo externo se modifica, a sua realidade
pessoal é abalada. Na realidade o seu espírito quer ir além e com isso o
força a um mergulho mais profundo dentro de si mesmo, e nesse processo
pode surgir a depressão, síndrome do pânico e outros desequilíbrios que
são vistos pela psiquiatria como patológicos, mas que, na verdade, fazem
parte de um processo de transformação que tratadas, adequadamente, tendem
a desaparecer.
Quanto mais a pessoa colocar resistência a mudança, quanto
mais se apegar a um tipo de vida que tem de ser mudado, mais ela sofrerá.
Quanto mais quiser controlar e rejeitar o processo, mais difícil ele
será, podendo surgir uma luta interna muito intensa devido ao medo de
tudo aquilo que está sofrendo e que não entende. A crise se caracteriza,
porque a pessoa está colocando resistência ao processo por medo, então
nesse momento uma psicoterapia adequada é fundamental. As vezes também a
crise se caracteriza e perpetua por longo tempo porque a pessoa não
encontra o seu caminho espiritual adequado e muitas vezes se perde numa
busca externa, quando na realidade é interna e não faz a transformação do
eu inferior que é tudo que ela precisa fazer.
Na realidade estamos nesse mundo num processo de evolução, de
volta para Deus, mas infelizmente nos perdemos na matéria, achando que
somos somente um corpo e então passamos a viver em busca de satisfazer os
desejos desse corpo. Mas conforme a programação cármica de uma pessoa é
possível que ela já tenha entrado num estágio de volta para Deus mais
consciente e então detonadores externos surgirão para despertá-la para
isso e esse despertar vai ser fácil ou não, dependendo da resistência que
colocar no processo. A resistência acontece por conta dos nossos apegos
materiais no qual estamos presos por conta de crenças distorcidas que
teremos que transformar e isso geralmente se torna difícil sem uma ajuda
adequada. Os porões do inconsciente estão se abrindo e o que está
reprimido quer ser liberado para a consciência.
Nesse processo muitas vezes surge um sentimento de solidão
profundo e a sensação de que ninguém será capaz de nos entender.
Sensações de desespero, angústia, visões, vidas passadas podem emergir
espontaneamente. Desespero, porque não quer mais sofrer e não sabe o que
fazer para sair daquele sofrimento, vontade de morrer, depressão, medo de
enlouquecer. A pessoa está confusa com tantos sentimentos ou experiências
estranhas, mas ela
está plenamente consciente de que o processo é interno, da sua própria
psique, e pronta a aceitar conselhos e ajuda.
Embora haja exceções, a psiquiatria e a psicologia
tradicionais normalmente não fazem distinção entre o misticismo, uma
abertura espiritual e a psicopatologia.
Esse processo de morte e renascimento psicológico é difícil e
sofrido para as pessoas que o estão vivenciando, mas é imprescindível
para a sua evolução. Não há como viver a Unificação com o Divino que está
dentro de nós, sem nos libertarmos desse eu inferior negativo que são os
nossos medos, desejos, apegos, agressividades, raivas, culpas, vaidade,
orgulho, egoísmo... que estão no nosso subconsciente e que O encobre.
Transformar todo o nosso lado sombra é a nossa obrigação evolutiva.
O nosso pensamento é velho, pois foi formado ao longo de
todas as nossas experiências passadas, somos o que pensamos, ou seja,
somos todas as nossas crenças e agimos conforme elas, infelizmente, na
sua maioria são distorcidas e rígidas nos levando a uma vida limitada e
sofrida. Entender o porquê e como as criamos e transformá-las é
fundamental para que o crescimento do eu possa ocorrer.
Susan Thesenga em seu livro O Eu sem Defesa observa: "nossa
experiência de vida é um reflexo exato da pessoa que somos por dentro.
Sempre que a vida mostrar algum aspecto restritivo e insatisfatório, é
preciso ir mais fundo na exploração do território interior, para revelar
onde ficou bloqueada a possibilidade de uma vivência mais rica. Cada vez
que ampliamos o território interior, a vida exterior também se
amplia." Portanto, se a sua vida é limitada e sofrida não culpe o
mundo, as pessoas, a família ou Deus, a resposta está dentro de você.
Mude o seu eu interior que o seu mundo exterior mudará.
Segundo Sri Aurobindo, em seu livro Uma Psicologia Maior
afirma "A Inconsciência é uma imagem invertida da superconsciência
suprema: tem o mesmo caráter absoluto de ser e a mesma ação automática,
mas permanece mergulhada num profundo transe involutivo; é o ser perdido
em si mesmo, afundado no abismo da própria infinitude. Em vez de um
repouso luminoso na Existência absoluta, há um escondimento tenebroso
nessa mesma existência, as trevas veladas pelas trevas de que fala o Rig
Veda, tama âsît tamasâ gûdham, que dão à Existência o aspecto de
Não-Existência; em vez de uma luminosa autoconsciência intrínseca, há uma
consciência mergulhada num abismo de auto-esquecimento, consciência essa
que, embora seja intrínseca ao ser, não está desperta no ser."
"O subconsciente é a antecâmara do Inconsciente e
posta-se entre este e a mente, a vida e o corpo conscientes."
"No subconsciente existe uma mente obscura, repleta de
samskaras obstinados, de impressões, associações, noções fixas e reações
habituais formadas pelo passado; existe uma vitalidade obscura, cheia de
sementes de desejos, sensações e reações nervosas habituais; há uma
materialidade obscura que rege e determina em grande medida o estado do corpo.
Com efeito, é essa materialidade obscura uma das principais responsáveis
pelas doenças; as doenças crônicas ou que se repetem com freqüência são
devidas principalmente ao subconsciente, à sua memória obstinada e ao seu
hábito de repetir tudo o que uma vez se imprimiu na consciência corpórea.
... todas as coisas que são objeto de consciência entram no
subconsciente, não na qualidade de lembranças precisas e temporariamente
perdidas, mas na qualidade de impressões obscuras e obstinadas, que podem
surgir a qualquer momento sob a forma de sonhos, de repetições mecânicas
de pensamentos, sentimentos e ações do passado, de "complexos"
manifestados em ações e acontecimentos, etc. O subconsciente é o
principal responsável pelo fato de as coisas sempre se repetirem e de
nada mudar, exceto na aparência."
A psicoterapia transpessoal surge como mais uma ferramenta
para o alcance desse estágio sublime de evolução. É necessário que
"morra" um estado antigo de viver, para que um novo eu possa
surgir. Isto é conhecido como a morte do ego, que nada mais é do que a
morte das estruturas de uma personalidade antiga na sua relação com o
mundo, de forma que o surgimento de uma existência livre e feliz possa
ocorrer. A morte do ego pode acontecer gradativamente e inclusive ao longo
de várias encarnações, ou pode ocorrer de repente, conforme a intensidade
colocada e a Graça de Deus. Tudo tenderá a desmoronar na sua vida, a fim
de que novo eu possa surgir.
Uma vez que o processo de transformação é acionado, não
parará até que tenha terminado o seu curso, ele é contínuo até que
termine e pode levar de alguns meses a vários anos.
Abaixo algumas das principais formas de Emergência Espiritual
que Grof cita:
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Episódios de Consciência Unificadora
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(Experiência de
Pico denominado por Maslow) e na literatura indiana Samadhi
(Consciência Cósmica). Esta é uma experiência mística que se
caracteriza pela dissolução dos limites pessoais e pela sensação de
união cósmica, união com todas as pessoas e com Deus. A pessoa vive uma
transcendência do tempo e do espaço e uma emoção positiva
indescritível. A partir dessa experiência, a vida da pessoa nunca mais
será a mesma, mas plena de paz e amor.
A literatura indiana está cheia de casos como esse, mas para um
ocidental comum que desconhece a possibilidade de tal experiência
mística, ele pode questionar sua sanidade mental e colocar resistência
ao processo. Grof cita que muitas pessoas durante uma experiência
mística foram mandadas para psiquiatras e tiveram sua experiência interrompida
por conta de medicamentos e rotulados de pacientes psiquiátricos por
toda a vida.
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Também é uma experiência mística, é o despertar de uma
forma de energia sutil, "o poder da serpente ou Kundalini" e
que no corpo humano reside na base da espinha do corpo sutil,
representada em forma de serpente, ela ao ser despertada sobe através
da espinha no corpo sutil e abre os 7 chacras. Ao chegar ao sétimo, que
é o da coroa, a pessoa vivencia o Samadhi ou a união com Deus. Quando
essa energia é despertada através da prática de meditação intensa e com
a intervenção e acompanhamento de um mestre espiritual de alto nível ou
Guru, tudo irá bem e a pessoa vivenciará o samadhi ou não, mas estará
protegida do perigo de uma experiência desse nível. Pode acontecer do
despertar ser espontâneo, por acaso, através de drogas químicas, uma
forte tensão intelectual, exercícios físicos intensos e outros e então
surgir dramáticas manifestações físicas e psicológicas chamadas Kriyas
e a pessoa sofrer intensas sensações de calor e energia subindo pela
espinha, espasmos, tremores violentos, riso e choro involuntário,
visões, luzes brilhantes , visões de santos, divindades, demônios,
símbolos diversos... As manifestações emocionais vão desde o êxtase,
estados de paz até ondas de depressão, ansiedade, angústia, medo de
perder o controle, de morrer e de enlouquecer.
Embora essa experiência seja difícil e intensa, é de grande
poder de cura e a partir daí a vida dessa pessoa não será a mesma, algo
de divino penetrou nela e a busca espiritual se intensificará. Osho, no
seu livro Meditação, diz "que a pessoa teve um vislumbre da
Iluminação", que ele chama de Satori. É um relance de Samadhi,
segundo ele, e que vai ficar na pessoa como uma memória. Essa lembrança
é que a impulsionará em busca da completa Iluminação, desde que não se
apegue a ela. Afirma também "que algumas pessoas podem achar que
Satori é o definitivo e ficarem presas nele, mas é um vislumbre. Satori
é a promessa de que algo maior é possível para você."
O problema é que o despertar da Kundalini pode simular problemas
psiquiátricos e médicos e todo um processo de transformação e cura
serem rotulados de patológicos.
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Experiências próximas à morte
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As experiências de pessoas que chegaram próximas à morte
parecem seguir um padrão conforme a literatura internacional e
nacional: elas relatam terem em frações de segundos revisto toda a sua
vida, a consciência se separa do corpo, se vêem muitas vezes flutuando
acima da cena do acidente ou operação; várias passam por um túnel
escuro em direção a uma fonte de luz de radiação e brilho inimaginável,
e outras experiências mais são relatadas.
Essas experiências podem ser poderosos catalisadores do despertar
espiritual e da evolução da consciência, geralmente essa mudança é
abrupta, mexendo com a parte psicológica de pessoas que estão
totalmente despreparadas para esse fato.
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Emersão de
"memórias de vidas passadas"
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As memórias de
vidas passadas ou experiências cármicas, que se sustentam na crença da
reencarnação e na lei do Karma, é um fenômeno psicológico de grande
potencial de cura e transformação. Normalmente não nos lembramos das
nossas encarnações anteriores, mas pode acontecer de lembranças de
vidas passadas emergirem na consciência de forma espontânea, e isso
pode ter um impacto profundo na psique e causar conflitos emocionais
indicando também o início de uma emergência espiritual. Quando isso
acontece, a procura de um profissional da área é fundamental.
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O despertar da
percepção extra-sensorial (abertura psíquica)
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Muitas tradições
espirituais e escolas místicas observam as habilidades paranormais como
uma fase natural, porém, perigosa do desenvolvimento da consciência e
são detonadores de uma emergência espiritual que podem se transformar
em crise se não tiverem a assistência adequada.
As manifestações de abertura psíquica são várias: experiências fora do
corpo (são capazes de observar a si mesmas ou "viajar" para
vários locais e saber o que está acontecendo), telepatia, psicofonia,
clarividência, clariaudiência, comunicação com espíritos guias,
canalização...
Estes acontecimentos quando surgem inesperadamente na vida de pessoas
que desconhecem isso, ou mesmo conhecendo, podem ser profundamente
pertubadores e assustadores, já que as antigas bases de segurança são
destruídas e isso gera muita angústia, além do pavor que as pessoas
sentem por não entenderem o que está acontecendo com elas; ou pode
acontecer o contrário: a pessoa ficar fascinada pelo fenômenos
psíquicos e interpretar esses eventos como uma superioridade própria ou
um chamado especial e cair no engrandecimento do ego e também ser
desastroso para ela.
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Experiências de
encontros pessoais com OVNIs
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Os relatos de
pessoas que têm tido experiências com objetos voadores não
identificados é impressionante, vão desde seqüestros até interações com
eles, visões diurnas e noturnas de espaçonaves, etc.
Grof diz "que as experiências de tais encontros têm uma importante
dimensão psicológica e espiritual. Podem freqüentemente precipitar
sérias crises emocionais e intelectuais que têm muito em comum com as
emergências espirituais. C. G. Jung considerava esse fenômeno tão
importante que fez disso um ensaio especial intitulado: "Flying
Saucers: A modern myth of things seen in the skies", baseado em
uma cuidadosa análise histórica das lendas sobre discos voadores e
aparições verdadeiras que causaram ocasionalmente histeria de massa.
Jung chegou à conclusão de que os fenômenos de OVNIs poderiam ser
visões arquetípicas oriundas do inconsciente coletivo mais do que
espaçonaves terrestres. Outros pesquisadores salientaram a similaridade
dessas experiências com outros estados transpessoais e enfatizaram seu
potencial de transformação. Quer essas experiências se originem em
verdadeiros contatos com extraterrestres , quer dentro da psique, elas
compartilham de várias características de estados transpessoais em
geral e de certas formas de emergência espiritual em particular."
Essas experiências ufológicas podem detonar sérias crises emocionais,
intelectuais e espirituais. Pessoas entram em contato com dimensões de
realidade que estão fora da percepção humana ordinária e são
profundamente transformados por essas experiências.
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É uma crise
psico-espiritual caracterizada por uma sensação terrível de que o seu
corpo foi invadido e está sendo controlado por entidade ou energia
estranha que tem características pessoais hostil e malévola; é algo que
vem de fora e não pertence a sua personalidade. Isso pode se manifestar
de várias formas e intensidade.
Grof cita que "esses estados podem ser a força condutora por trás
de uma séria psicopatologia, tal como várias formas de comportamentos
anti-sociais e até criminosos, depresssão suicida, agressão assassina
ou tendências autodestrutivas, impulsos sexuais promíscuos e fora dos
padrões normais ou o consumo excessivo de drogas e álcool. No entanto,
há razões mais importantes pelas quais o estado de possessão deveria
ser considerado uma emergência espiritual. O arquétipo demoníaco que
causa isso existe por sua própria natureza transpessoal, e representa
um contraponto ao Divino - o que é necessário - sendo a sua imagem
polar do espelho oposta ou negativa.Isso funciona também como uma tela
escondendo o acesso ao Divino, como um guardião aterrorizante que
figura nos portões de entrada dos templos orientais. Quando é dada a
pessoa uma oportunidade para enfrentar e expressar a energia que a
perturba, em um cenário de apoio e compreensão, em geral o resultado é
uma experiência espiritual profunda e positiva, com um extraordinário
potencial de cura e transformação."
O ideal de tratamento para esse tipo de emergência é um sério
tratamento espiritual e uma psicoterapia experiencial para que sua
mente subconsciente seja ativada.
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Para muitos
autores a dependência do álcool e das drogas são formas de emergência
espiritual. "A jornada do viciado até o "fundo do poço"
e depois até a recuperação é, em geral um processo de morte e
renascimento do ego". No fundo está o desejo ardente de encontrar
Deus.
Devido a minha própria busca espiritual, a minha profissão
e por ser reencarnacionista, não tenho dúvidas de que os nossos
conflitos emocionais de todas as ordens (medos, raivas, culpas, fobias,
pânicos...) são devidos aos nossos conteúdos cármicos mal resolvidos de
vidas passadas que tendemos a repetir e que se encontram no nosso
subconsciente. Esse eu inferior ao ser trazido à tona através da TVP e
Renascimento, que são as técnicas transpessoais com as quais trabalho,
traz explicações para as questões incompreensíveis da vida das pessoas.
Elas encontram respostas para a série de dificuldades, conflitos e
limitações em que se encontram, e surgem então o alívio e a eliminação
completa dos sintomas. Relações familiares conflitantes são resolvidas
ao serem entendidos e transformados os conteúdos cármicos entre os
respectivos membros e que tendem a repetir como um impulso cego e
compulsivo. Acredito que a emergência espiritual surge quando a alma,
cansada de sofrer e repetir padrões emocionais conflitantes, cria em
sua psique crises para forçar o desenvolvimento e acaba encontrando
Deus que, no fundo, era o que buscava.
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