|
"Somente
se dá aquilo que se possui. Como, pois, exigir
amor de alguém que ainda não sabe amar?
Como
requisitar respeito e consideração de
criaturas que não atingiram o ponto delicado
do sentimento que é o amor?
Quem
dá afeto recolhe a felicidade de ver multiplicado
aquilo que deu, mas somente damos de conformidade
com aquilo de que podemos dispor no ato da doação.
Há
diversidades de evolução no planeta.
Homens mal saídos da primitividade campeiam
na sociedade moderna, ensaiando os primeiros passos
do instinto natural para a sensibilidade amorosa.
Eis
aqui uma breve relação de sintomas comportamentais
que aparecem nas criaturas, confundindo o amor que
liberta e deseja o bem da outra pessoa com a atração
egoísta que toma posse e simplesmente deseja:
-
Há
indivíduos que, para conquistar os outros e
convence-los de suas habilidades e valores, contam
vantagens, persuadindo também a si mesmo, pois
acreditam que para amar é preciso apresentar
credenciais e louros, satisfazendo assim as expectativas
daqueles que podem aceitá-los ou recusá-lo.
-
Há
criaturas que tentam amar comprando pessoas, omitindo
e negando suas necessidades e metas existenciais,
abandonando tudo que lhes é mais caro e íntimo
e depois, por terem aberto mão de todos os
seus gostos e desejos, perdem o sentido de suas próprias
vidas, terminando desastrosamente seus relacionamentos.
-
Alguns
delegam o controle de si mesmos aos outros, cometendo
assim, em "nome do amor", o desatino de
renunciar ao próprio senso de dignidade, componente
vital à felicidade. Não é de
surpreender que vivam vazios e torturados, pois tornaram-se
"um nada"ao permitirem que isso acontecesse.
-
Outros
tantos usam da mentira, encobrindo realidades e escondendo
conflitos. Convictos de que têm de ser perfeitos
para ser amados, temem a verdade pelas supostas fraquezas
que ela possa lhes expor diante dos outros. Acabam
fracassados afetivamente por falta de honestidade
e sinceridade.
-
Certas
criaturas afirmam categoricamente que amam, mas tratam
o ser amado como propriedade particular. Por não
confiarem em si mesmas, geram crenças cegas
de que precisam cuidar e proteger, quando na realidade
sufocam e manipulam criando um convívio insuportável
e desgastante.
Uma das características mais tristes dos que
dizem saber amar é a atitude submissa dos que
nunca dizem "não", convencidos de
que, sendo sempre passivos em tudo, receberão
carinho e estima. Esse tipo de comportamento leva
as pessoas a concordar sempre com qualquer coisa e
em qualquer momento, trazendo-lhes desconsideração
e uma vida insatisfatória.
Requisitar
dos outros o que eles ainda não podem dar é
desrespeitar suas limitações emocionais,
mentais e espirituais, ou seja, sua idade evolutiva.
Forçar
pais, filhos, amigos e cônjuge a preencher o
teu vazio interior com amor que não dás
a ti mesmo, por esqueceres teus próprios recursos
e possibilidades, é insensato de tua parte.
"É
dando que se recebe; portanto, cabe a ti mesmo administrar
tuas carências afetivas e fazer por ti o que
gostarias que os outros te fizessem.
Não
peças amor e afeto; antes de tudo, dá
a ti mesmo e em seguida aos outros, sem mesmo cobrar
taxas de gratidão e reconhecimento. Importante
é que sigas os passos de Jesus na doação
de amor abundante, sem jamais exigi-lo de ninguém
e sem jamais esquecer que és responsável
pelos teus sentimentos.
Quanto
aos outros, sejam eles quem forem , responderão
por si mesmos conforme o seu livre-arbítrio
e amadurecimento espiritual."
Texto
extraído do livro "Renovando Atitudes"
de Francisco do Espírito Santo Neto/Hammed
|