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Somos pessoas apegadas a preconceitos, vaidades, orgulhos, ressentimentos, rancores, ódios. Enfim, a uma série de valores e crenças deturpadas e que não queremos largar, acreditando que tudo isso somos nós e por conta da nossa inconsciência, cremos que estamos certos em sermos assim. Até que surgem as crises e perdas para nos mostrar uma realidade diferente e nos propiciar a transformação de valores, que até então, imaginávamos corretos.
Ninguém gosta de passar por crises ou sofrer perdas, mas elas se fazem necessárias para a nossa evolução. A energia negativa em nós é enrijecida e a crise surge para sacudi-la de forma que a mudança possa ocorrer. A dificuldade é que, como não gostamos de passar por crises, nós a rejeitamos, colocamos resistência à mudança, o que nos leva a mais sofrimento. Quanto mais rígidos e inflexíveis formos, mais sofreremos.
Precisamos morrer para nosso ego negativo, de forma que possamos renascer como seres melhores. Inconscientemente, o nosso psiquismo cria situações para que as perdas aconteçam e as mudanças possam ocorrer.
O sofrimento é um sinalizador de que algo está errado conosco. Infelizmente, nos perdemos no efeito, no fato acontecido, e esquecemos de buscar as causas que estão dentro de nós. Precisamos ter a coragem de olhar de frente para a nossa negatividade, nossa sombra; não com condenação, mas numa aceitação da nossa imperfeição. Só assim, nos possibilitaremos a transformação.
A vida na sua sabedoria nos traz muitas vezes crises terríveis e perdemos pessoas que amamos, casamentos desmoronam, falências acontecem. Quantas vezes temos que recomeçar do zero, mas tudo isso muitas vezes se faz necessário, para que nos libertemos de valores e sentimentos negativos profundamente arraigados, que carregamos ao longo dos tempos e que não soltamos por conta da nossa rigidez, então a crise vem com toda a sua força para que possamos aprender a ver a vida de outra forma; buscarmos novos valores para uma vida de mais equilíbrio e alegria. Velhas estruturas precisam morrer, para que novas possam surgir.
Não devemos porém, negar a crise, sim, caminhar junto com ela, buscando as causas reais, nos abrindo e desejando a mudança e, mais do que nunca, pedir ajuda divina para que nos inspire a entender e transformar aquilo que está inconsciente e que está nos levando ao sofrimento. Não devemos, portanto, nos colocar numa posição passiva, esperando que Deus mude a nossa vida. Essa tarefa cabe a nós, uma vez que fomos nós que nos construímos ao longo dos tempos de uma forma negativa. Por isso temos agora que nos desconstruir para que possamos realmente viver os valores divinos do nosso Ser Superior que também está em nós.
No livro O Caminho da Autotransformação, de Eva Pierrakos, o Guia afirma: "Somente uma crise pode demolir uma estrutura construída sobre premissas que contradizem as leis da verdade, da felicidade e do amor cósmico". "Sem a crise a transformação é impensável"
Reclamamos de um mundo violento e injusto que só nos traz perdas e sofrimentos, mas esquecemos que esse mundo é reflexo de todos nós. Se cada um tratasse da sua violência, arrogância e destrutividade interior, o mundo, com certeza, seria bem melhor.
A perda nos dói porque nos envergonha, por nos sentirmos vítimas e perdedores diantes dos outros, a ponto de cairmos numa inércia para reverter esse quadro. Vivemos na fantasia de que o bem sucedido não sofre perdas, tudo dá certo para ele. Porém, isso é uma ilusão, na maioria das vezes, o sucesso alcançado de alguém foi precedido de muitas perdas e muitas crises, mesmo porque só crescemos através dos nossos erros, portanto precisamos aceitar as nossas perdas, não como um fracasso irreversível , mas a partir dos erros reconhecidos e transformados em alavanca para um futuro melhor.
As crises na nossa vida podem ser profundamente amenizadas quando temos a humildade de buscarmos em nós as causas dos conflitos. Se não conseguirmos sozinhos, devemos buscar ajuda para que a transformação verdadeiramente possa ocorrer. Só evoluiremos quando trouxermos à luz da consciência o mal que existe em nós e predispor-mo-nos a viver cada vez mais o nosso Ser Superior.
Cristina Azeredo |